BANDEIROZA

Bandeiroza Eco Resort

YEMANJA

Festa de Yemanja

Fotos: Laura Ryan

 

Amenizando

(Após uma sequência de abordagens de temas de grande aridez, resolvi amenizar com este texto de rara beleza extraído da lavra de preciosidades de Rubem Braga. Deleitem-se, pois, com este meu momento... doçura.)


A Mulher Esperando o Homem

Agora mesmo, quando passou o aniversário da revolução húngara, eu me lembrei que de todos os relatos, alguns dolorosos, horríveis, gente que fugiu da Hungria, havia o de uma mulher que contou simplicidade sua história; e foi o que mais me impressionou quando o li, de madrugada, no meu quarto de hotel em Nova York. O marido saiu para a revolução e lhe disse que ela não saísse de casa de maneira alguma, e esperasse sua volta. Chegou a noite e ele não veio; passou a noite inteira acordada, e ele não veio; no outro dia entraram na rua tanques russos atirando, e veio outra vez a noite, e veio outro dia, e veio outra noite, e ela esperando; cochilava um pouco sentada, acordava assustada julgando ouvir os passos ou a voz dele, até que chegou por um parente a notícia de que ele morrera.

Ela então saiu de casa e - "como eu não tinha mais nada que esperar", segundo disse - fugiu para a fronteira da Áustria.

Não sei por que, achei que essa mulher sentiu um alívio ao saber que não devia esperar mais; acontecera, naturalmente, o pior. Mas a angústia de esperar cessara.

O homem ausente era como um carcereiro que a prendia no lar transformado em câmara de torturas. Ela agora estava desgraçada, mas livre.

Mas não é preciso haver guerra nem nenhum perigo; nesta madrugada em que escrevo, em Ipanema, quantas mulheres não estarão esperando os maridos? Aquela pequena luz acesa em um edifício distante é talvez o apartamento da mulher insone que já telefonou meio envergonhada para várias casas amigas perguntando pelo marido, que já olhou o relógio vinte vezes e tomou comprimido para dormir, ligou a Rádio Relógio, tentou ler uma revista velha, fumou quase um maço de cigarros.

Não importa que seja a esposa vulgar de um homem vulgar; e que no fim a história do atraso dele seja também completamente vulgar. Neste momento ela é a mulher esperando o homem; e todas as mulheres esperando seus homens se parecem no mundo, e se ligam por invisível túnel de solidariedade que atravessa as madrugadas intermináveis.

Todas: a mulher do pescador, a mulher do aviador, e a do revisor de jornal, a do milionário,a do ministro protestante, a mulher do músico...

Devia haver um santo especial para proteger a mulher esperando o homem, devia haver uma oração forte para ela rezar; ela está desamparada no centro de um mundo vazio.

Ela começa a odiar os móveis e as paredes; a torneira da pia lhe parece antipática; a geladeira, que aliás precisa ser pintada, é estúpida, porque ronca de repente e depois o silêncio é mais quieto. A cama é insuportável.

Devia haver um número de telefone especial para a mulher que está esperando o homem chamar, reclamar providências, ouvir promessas, insistir, tocar outra vez, xingar, bater com o fone. Devia haver funcionários especiais, capazes de abastecer essa mulher de esperança de quinze em quinze minutos, jurar que todas as providências já foram tomadas, "estamos seguros de que dentro de poucos minutos teremos alguma coisa a dizer à senhora…"

E diria que pelo menos no necrotério ele não está, nem no Pronto socorro, nem em delegacia nenhuma, (NEM EM STUDIOS); mas não diria isso de uma só vez, e sim através de informes espaçados, que fossem formando etapas de ansiedades, que quadriculassem lentamente a insônia.

A mulher que está esperando o homem está sujeita a muitos perigos entre o ódio e o tédio, o medo, o carinho e a vontade de vingança.

Se um aparelho registrasse tudo o que ela sente e pensa durante a noite insone, e se o homem, no dia seguinte, pudesse tomar conhecimento de tudo, como quem ouve uma gravação numa fita, é possível que ele ficasse pálido, muito pálido.

Porque a mulher que está esperando o homem recebe sempre a visita do Diabo, e conversa com ele. Pode não concordar com o que ele diz, mas conversa com ele.

Rubem Braga - 1957

OPINIÃO

Espaço Leitor

Bom, Achei deselegante a matéria desse blog " A europa que enlouqueceu em Arraial". Não conheço o Rene muito bem, mas sei que ele deu um grande UPGRADE na esquina da Broduei investindo muito e luta bastante para ter um espaço mais digno apesar de saber que ele é um beija-flor no incendio porque até os policiais fazem vistas grossas para tudo aquilo. Flávio é meu conhecido, e achei muito corajoso da parte dele escrever isso. E não acredito que inventaria nada disso. E esperar e ver! E em relação ao Fábricio, é um homem que está sempre tentando alertar nós que moramos aqui para tudo que acontece de errado na nossa Arraial. Não sei a versão do Fábricio, mas posso imaginar como um pai ficaria se seu filho fosse mordido por um cachorro. Se ele perdeu a cabeça ou não, não sei. Mas quem não perderia a cabeça para defender um filho?

Cris - Arraial d'Ajuda


 

 

Martini,bom dia:

 

Você averigou a veracidade das acusações feitas ao Mario? Acusar é fácil, qualquer um pode fazer, mas vc jornalista responsável que é, antes de publicar deve verificar. Um abraço

Vera Sento-Sé - Arraial d'Ajuda


Olá Vera:

As acusações são do leitor. Cabe ao Mário inquiri-lo e, cabe a ele, o leitor, ter provas do que diz ou ser responsabilizado.

O site é um veículo aberto, democraticamente, às opiniões da comunidade. O fato de manter este canal aberto não me obriga a abonar as opiniões emitidas.

Forte abraço e obrigado pela audiência.

M Martini

 


Olá M Martini,

Eu não acuso o Mario de nada! Quem tem que acusar são as pessoas prejudicadas. São historias que circulam no Arraial (a tal voz da comunidade), e eu simplesmente não acho bom uma pessoa com uma fama dessa assumir uma cargo desse. Preferia ouvir um monte de coisas boas que ele fez. Do outro lado ele está agora numa posição onde ele pode provar o contrario e mudar essas historias dele no Arraial! Um abraço

Flavio Heubeck - Arraial d'Ajuda

 

MANICÔMIO D'AJUDA

A Europa que enlouqueceu no Arraial

Surtos de insanidade mental já rivalizam com as tradicionais viroses que acometem os arraianos.

Estes acessos de loucura, entretanto, têm sido registrados especificamente nos imigrantes do Velho Mundo a Europa.

No primeiro caso o cidadão holandês "Rene Van der Qualquer Coisa", proprietário da choperia-mafuá que fica na esquina da Bróduei, enfurecido pela entrevista publicada em D’Ajuda Revista com o Administrador Distrital do Arraial d’Ajuda, Mário Figueiredo, resolveu reeditar os tempos da ditadura e saiu pela Rua do Mucugê recolhendo os exemplares da revista! Em alguns pontos de distribuição identificou-se como sendo integrante da Revista justificando o recolhimento por conta de um "erro" (?!) na edição, numa óbvia configuração psiquiátrica de diarréia cerebral além de atitude tipificada no Código Penal como estelionato (Art. 171), capitulado como Crime contra o Patrimônio sendo definido como "obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento".

Em outros pontos de distribuição da Revista o matusquela holandês justificou o recolhimento feito "na mão grande", por entender, na condição de empresário, que a entrevista publicada denegria a região publicamente conhecida como Faixa de Gaza causando-lhe prejuízos comerciais! O que pensa (Asno pensa?!) este subnormal quanto aos presumíveis prejuízos financeiros dos anunciantes que pagaram para ter inserida suas mensagens publicitárias numa publicação arbitrariamente recolhida?

Deixa ver se eu entendo a lógica deste babaquara: O fato notório (comércio de drogas e prostituição, infantil inclusive) não desqualifica nem denigre o lugar, mas divulgar propondo a discussão e caminhos para uma solução, sim! Então tá!

Talvez, segundo o fundamento filosófico deste acéfalo, devêssemos rebatizar a "Faixa de Gaza" com algum neologismo holandês como, "Walletjes em Oude Kerk", ou Bairro da Luz Vermelha numa referência "sofisticada" ao antro holandês que concentra os coffee shops que comerciam drogas livremente em Amsterdã.


Valentia Siciliana

Em outro caso de destrambelhamento prevaleceu o estilo "abafa o caso".

O cozinheiro Fabrizio Abbate, despejou toda sua truculência siciliana prá cima de um pacífico cidadão. Fernando, a vítima escolhida, é um artesão calmo e de modos refinados que sensibilizado pelo abandono dos cães que vagam pelas ruas do Arraial, resolveu minimizar-lhes o sofrimento.

Homem sensível e de posses restritas buscou o apoio de uma amiga veterinária para cuidar das mazelas destes animais. As parcerias obtidas, somadas aos modestos ganhos do artesão, têm permitido custear cuidados médicos e cirurgias de esterilização reduzindo o sofrimento e a proliferação dos cães sem dono.

Por conta destas ações o artesão Fernando conseguiu atrair o ódio do cozinheiro siciliano que num acesso de fúria, baseado em motivo banal e sem consequência, agrediu covardemente o rapaz.

A alegação do puttino demente ( Menino Maluquinho) Fabrizio Abbate é de que um dos cães cuidados por Fernando teria mordido seu filho, o pequeno Joshua. Se tal fato tivesse ocorrido, é certo que, munido de laudo médico, Fabrizio teria levado Fernando ao calvário de um tribunal.

Este laudo não existe. Existe sim, o exame de corpo de delito comprovando a brutal e covarde agressão que por sorte não causou danos permanentes a Fernando. Além da agressão, Fabrizio Abbate vociferou, em alto e bom som, ameaças de morte justificando sua arrogância à condição de empresário e de um dos "donos da Rua do Mucugê"!

Procurado pela reportagem para manifestar sua versão dos fatos (procedimento jornalístico elementar), o cozinheiro disse nada ter a declarar e sugeriu, textualmente, que eu "tivesse muito cuidado com o que fosse escrever", pois estaria disposto a responsabilizar-me judicialmente pelo que fosse publicado.

Ora, "Don Fabrizio", não preciso ser responsabilizado numa ação judicial pelo que escrevo. Mais de duas décadas de jornalismo já me ensinaram as virtudes de ser responsável em meu ofício.

Agradeço e dispenso a sugestão, principalmente, vinda de um sujeito capaz de uma conduta absolutamente irresponsável como a demonstrada.

 

 

OPINIÃO

Espaço Leitor

 Olá

Parabéns pela entrevista com Mario Portugues! Às vezes até senti uma leve insinuação ou pressãozinha! rsrs

Infelizmente o sr Abner Xavier se enganou!

O Mario Figuereido (vulgo portugês) é aquele que:

 

- que antigamente furou a fila da balsa porque se achava melhor do que os outros!

- roubou energia da Coelba (gato) e tinha que pagar uma multa alta!

- que vendeu as casas no TCA (tenis club de Ajuda) sem consentimento da ex-mulher, com o resultado que os compradores nao podiam passar a escritura pro seu nome!

- que sumiu com 10 mil dolares quando administrou a obra de um americano perto da balsa

- que administrou uma pousada perto da balsa e foi mandado embora porque sabe administar coisa nenhuma

- que já foi secretario de alguma coisa aqui, mas ninguem lembra alguma coisa que ele fez

 

Mas como o povo no Arraial tem memoria curta, e prefere dar tapinha no ombro, afinal nunca se sabe se precisa de um favor, tudo bem!

Com esse histórico todo mundo está preocupado e até os funcionarios da secretaria torcem o nariz desse novo sindico. É todo mundo se pergunta como ele foi parar ali.....

O Alencar (deve ser parceiro de tenis do Mario!)....é só esperar que ele fez alguma faculdade de administração. Porque Arraial tem 25 mil habitantes e é preciso de professionais serios e competentes.

Mas infelizmente.... Enquanto os cavalos e os donos deles terão uma otima infraestrutura a população fica no escuro!

Um abraço de um morador antigo e observador quieto!

 Flavio Heubeck


Muito boa, a entrevista. Clara, objetiva, gostosa de ler, sem puxassaquismo e fazendo o administrador assumir compromissos com a comunidade. Alto nível.

Abraço

Fernando JSB Paraíso

 

 


Rene

Acho uma enorme vergonha de falar em uma revista ‘Nossa´ sobre cracrolandia, faixa de gaza e prostituçao infantil . O Que voces da revista ja tem feito para ajudar com este problema ??? agora colocar isto em escrito so ajuda para deixar o centro historico ( nome certo ) mais afastada da Rua mucuge . Em ves de procurar juntos em melhorar a cidade a revista prefere detonar seu propio centro . Procurei na revista mas nao encontrei nada sobre onde os visiados podem encontrar ajuda . Melhorar o mundo comença com voçe mesmo .


Ps: Este Zé Mané aí de cima é o tal censor que recolheu as revistas.

M Martini

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